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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Diversidade da Avifauna no sul de Minas Gerais.

Um inventário recentemente realizado pela equipe composta pelo naturalista e estudante de biologia Kassius Santos, pelos biólogos Vitor Torga Lombardi, Raisa Gonçalves Faetti, Matusalém Miguel e pelo ornitólogo Santos D'Angelo Neto, revela a grande diversidade de espécies de aves presente na região do sul de Minas Gerais e Campo das Vertentes.

A região, que compreende os municípios de Carrancas, Lavras, Itamonte, Aiuruoca, entre outros, tem sido estudada a relativamente pouco tempo no que se refere à sua avifauna, e este talvez seja o trabalho mais abrangente já realizado na área. 

Embora seja uma região de forte influência antrópica historicamente, com suas áreas bastante exploradas pela cultura do café, pela pecuária e mais recentemente pela expansão das áreas de plantio de eucalipto, ainda apresenta uma grande riqueza de espécies animais e vegetais. O fato de estar localizada em uma área de contato entre dois dos mais importantes biomas brasileiros, Mata Atlântica e Cerrado, além de apresentar áreas de Campos Nativos ainda intactas, pode explicar essa riqueza de espécies.
    Mata Triste, no município de Mindurí. Maior área contínua de Floresta Atlântica encontrada na área. Foto: Kassius Santos.
     Campos naturais, Cerrado e mais ao fundo a ameaça da expansão do cultivo de Eucalipto na região de Carrancas. Julho de 2010. Foto: Kassius Santos.

As aves, sem dúvida, constituem o grupo que mais chama a atenção, seja por estarem presentes em todos os ambientes, inclusive nas áreas urbanas, seja pelas cores vistosas que muitas apresentam, ou pelo canto característico de cada espécie.

Foram registradas na região aproximadamente 400 espécies de aves, sendo que mais de 12 destas estão sob algum grau de ameaça, em nível estadual ou nacional. Destacam-se  espécies como o Caminheiro-grande (Anthus nattereri), o Tico-tico-de-máscara (Coryphaspiza melanotis) e a Marianinha-do-campo (Culicivora caudacuta), espécies típicas dos campos nativos e extremamente ameaçadas devido à redução e à fragmentação desses ambientes. Espécies como a águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus), típica do Cerrado, e espécies florestais como o Gavião-pega-macacos (Spizaetus tyrannus) e a Tesourinha-da-mata (Phybalura flavirostris), encontram-se ameaçadas pelos mesmos motivos.
    Caminheiro-grande (Anthus nattereri) em campo nativo no município de Carrancas. Foto: Kassius Santos
    Tico-tico-de-máscara (Coryphaspiza melanotis) fotografado na Chapada do Abanador, Mindurí, em outubro de 2009. Foto: Kassius Santos.
    Marianinha-do-campo (Culicivora caudacuta) fotografada em Lavras, agosto de 2010. Foto: Kassius Santos
    Águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus) sobrevoando área próxima ao rio Grande, em Ribeirão Vermelho, junho de   2010. Foto: Kassius Santos.
     Tesourinha-da-mata (Phybalura flavirostris) registrada próxima à Mata Triste, em Mindurí, outubro de 2009. Foto: Kassius Santos

Também foram registradas espécies não ameaçadas mas consideradas raras e pouco abundantes, como é o caso do Urubu-rei (Sarcoramphus papa) e do Falcão-morcegueiro (Falco rufigularis), de espécies migratórias como o Falcão-peregrino (Falco peregrinus), visitante do hemisfério norte, e de espécies comuns em outras regiões mas ainda não registradas anteriormente na área, como é o caso da Curicaca (Theristicus caudatus), espécie típica do Brasil central.
    Indivíduo imaturo de Urubu-rei (Sarcoramphus papa). Mindurí, abril de 2010. Foto: Kassius Santos. 
    Falcão-morcegueiro ou Cauré (Falco rufigularis). Mindurí, janeiro de 2010. Foto: Kassius Santos.
    Falcão-peregrino (Falco peregrinus) registrado na Chapada do Abanador, em Mindurí, janeiro de 2010. Foto: Kassius Santos.
    Casal de Curicacas (Theristicus caudatus). Lavras, maio de 2010. Foto: Kassius Santos 

Os resultados deste inventário justificam e sugerem que medidas para garantir a sobrevivência dessas espécies sejam tomadas, em caráter de urgência, pelos órgãos competentes. É necessário que remanescentes da Mata Atlântica, como é o caso da Mata Triste, a maior área contínua de floresta da região, localizada entre Carrancas e Mindurí, as áreas de Campos Naturais, presentes principalmente no município de Carrancas e o que ainda resta do nosso Cerrado sejam efetivamente preservados para que não se perca parte de toda essa diversidade. Além de pressionar os órgãos competentes para que criem parques nacionais, estaduais ou municipais, para que fiscalizem as áreas no sentido de coibir a caça e a coleta predatória de espécies vegetais e animais, também é nosso dever conscientizar os moradores das áreas para que contribuam com a preservação de toda essa riqueza biológica que ainda temos o privilégio de abrigar em nossa região.  

6 comentários:

  1. Kassius, muito obrigado pela visita em meu blog e pelo elogio! Agora, em matéria de blog este aqui está demais! Parabéns também! Essa matéria está sensacional e as fotos mostrando os remanescentes florestais em Minduri estão incriveis. Essa águia cinzenta é extraordinária, não podemos deixa-la se extinguir! Quanto às chilenas é outra espécie fantástica. Obrigado pela dica quanto à dieta delas, estavamos desconfiados. La onde temos ido, na pedra dos 3 pontões, suspeitamos ocorrer o Falco deiroleucus, o rarissimo falcão de peito laranja. um abraço,
    jose silverio lemos.

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    1. Obrigado pelo elogio ao blog José.
      Registrar o F. deiroleucus é sempre um grande feito, em qualquer parte do país. Torço para que tenham sucesso nesta empreitada aí. Publique suas descobertas meu amigo, pode contribuir bastante para o conhecimento sobre nossas aves de rapina. Grande abraço.

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  2. Kassius, encontrei seu Blog por acaso.. e adorei ao constatar que vc referia à Mata Triste em Minduri, pois meu pai é proprietário de terras lá. Me emocionei ao ver foto de toda aquela Mata e essa natureza linda!!!
    Obrigada por essas lindas fotos e parabéns pelo seu trabalho na
    preservação da Natureza!!!
    Grande abraço.
    Beatriz

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    1. Obrigado Beatriz! Como seu pai é proprietário de terras na área, aproveito para lhe fazer um apelo: que lute para preservar as áreas de vegetação nativa na sua propriedade. Estas áreas são de extrema importância para manutenção destas espécies, muitas delas encontram-se ameaçadas de extinção. Assim continuaremos tendo o grande privilégio de ter estas belezas tão próximas de nós...
      Grande abraço!

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