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quinta-feira, 17 de julho de 2014


quarta-feira, 16 de julho de 2014

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domingo, 21 de novembro de 2010

VIDA E MORTE EM UM NINHAL DE GARÇAS NO CAMPUS DA UFLA.

Garça-branca-grande (Ardea alba). Foto: Kassius Santos

Para grande parte das espécies de aves, a primavera assinala a chegada do período reprodutivo. É quando se tem uma maior disponibilidade de recursos para construção dos ninhos e de alimento para criar os filhotes.

No campus da Universidade Federal de Lavras a chegada da primavera é evidenciada pelas revoadas de garças que cruzam os céus carregando gravetos, empenhadas na construção de seus ninhos. Pelo menos quatro espécies de garças constroem seus ninhos nos bambuzais, Sangras d’água (Croton spe outras árvores de pequeno e médio porte distribuídas em uma faixa ao longo de um brejo próximo à área da piscicultura. As Garças-brancas-grandes (Ardea albautilizam os pinheiros mais altos, formando uma colônia separada das demais espécies. Elas chegam um pouco mais cedo que as outras três espécies, normalmente no final de agosto, sendo a primeira espécie a iniciar os trabalhos de construção dos ninhos. A espécie mais numerosa é a Garça-vaqueira (Bubulcus ibis), dividindo espaço lado a lado com a Garça-branca-pequena (Egretta thulae com a Garça-noturna ou Savacu (Nycticorax nycticorax). 
Garça-branca-pequena (Egretta thula) e filhote. Foto: Kassius Santos

As Garças-vaqueiras (Bubulcus ibis) são a espécie predominante. Foto: Kassius Santos

Os ninhos, construídos muito rudimentarmente com gravetos apanhados nas proximidades do ninhal, se amontoam nos galhos das árvores e nos bambuzais. Alguns casais levam folhas e ramos verdes para os ninhos, talvez para refrescar o calor ou para repelir parasitas. Nos ninhos centenas de pequenos bicos alardeiam a chegada dos pais trazendo o alimento de tempos em tempos, enquanto os adultos se bicam e se “acotovelam” nos galhos, vocalizando muito, tentando afugentar um vizinho mais abusado que se atreve a roubar-lhes um graveto do ninho. As Garças-brancas-grandes, as pequenas e a Garça-noturna buscam alimento para seus filhotes, principalmente peixes e anfíbios, nas lagoas, rios, represas e brejos próximos. Já a Garça-vaqueira, embora também possa ser encontrada próxima a áreas alagadas, prefere as pastagens, onde os bandos são comumente vistos andando junto com o gado - e isso não é por acaso... Durante seus deslocamentos através do capim, o gado afugenta gafanhotos e outros insetos, alimento principal dessa espécie de garça. 
Ninho recoberto com folhas verdes. Foto: Kassius Santos

Quando já não há mais forquilhas nos galhos das árvores, o jeito é construir o ninho pendurado nos cipós...



Ninho de Garça-vaqueira (Bubulcus ibis). Foto: Kassius Santos

Todo o chão abaixo do ninhal é recoberto por uma camada grossa de fezes e detritos (cascas de ovos, filhotes mortos, restos de alimentos que caem do ninho). O acúmulo de matéria orgânica em decomposição é tão grande que muitas vezes a vegetação rasteira não sobrevive.


Casal de Savacus (Nycticorax nycticorax). Foto: Kassius Santos
Garça-branca-pequena (Egretta thula). Foto: Kassius Santos
Garça-vaqueira (Bubulcus ibis) Foto: Kassius Santos

O ninhal é um grande berçário, e como tal nos faz pensar em vida. Porém nem tudo são flores, a morte ronda a todo instante. As novas garças já correm riscos antes mesmo de nascerem. Durante a incubação, muitos ovos podem cair no chão, devido ao constante empurra-empurra dos vizinhos. Vencida essa etapa, as ameaças continuam, dessa vez dentro do próprio berço. Se a ninhada é de dois ou mais filhotes (normalmente vai de 1 a 3), estes se envolvem em uma disputa ferrenha pelo alimento que os pais lhes trazem. O que nasce primeiro geralmente leva vantagem e por ser mais forte acaba expulsando do ninho seus irmãos mais fracos. É a seleção natural, que privilegia o mais forte e mais apto, e no caso das garças começa ainda no ninho. Uma vez caído no chão, a morte do filhote é praticamente certa. Ali ele está entregue a própria sorte. Enfraquecidos pela falta de alimento e jovens demais para voar, os filhotes caídos são vítimas fáceis de predadores como lagartos, gatos, gambás e principalmente dos Caracarás (Caracara plancus).  Estes últimos ficam à espreita nas árvores vizinhas ao ninhal, aguardando o momento certo para atacar um filhote caído ou mesmo para arrebatar um filhote ou ovo de um dos ninhos. Embora o Caracará seja um dos principais predadores dos ninhais, outras espécies de gaviões como o de Cauda-branca (Buteo albicaudatuse o Gavião-caboclo (Heterospizias meridionalis), além de corujas, como o Jacurutu (Bubo virginianus), também representam uma ameaça real ao ninhal. 
Filhote caído no chão do ninhal, provavelmente expulso por um dos irmãos. Foto: Kassius Santos
Como se tudo isso não bastasse, o perigo pode estar onde menos se espera. A garça-noturna ou Savacu, espécie que nidifica lado a lado com as Garças-vaqueiras e Garças-brancas-pequenas, algumas vezes se converte em predador de filhotes das outras garças. A outras espécies parecem não reconhecer o Savacu como inimigo, permitindo que construam seus ninhos próximos aos seus. Maiores e mais fortes, os Savacus aproveitam a distração dos pais e arrebatam um dos filhotes das outras garças, que provavelmente servirá de alimento para seus próprios filhotes.
Savacu (Nycticorax nycticorax) devorando um filhote de garça-vaqueira. Fotos: Kassius Santos
Mesmo os indivíduos adultos não estão fora de perigo. As constantes disputas pelo melhor local para fazer o ninho (geralmente nos galhos mais centrais, pois os da borda ficam mais suscetíveis aos predadores), também podem acabar com um dos contendores morto. É possível observar garças adultas mortas, penduradas de cabeça para baixo nos galhos próximos ao ninho.

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Diversidade da Avifauna no sul de Minas Gerais.

Um inventário recentemente realizado pela equipe composta pelo naturalista e estudante de biologia Kassius Santos, pelos biólogos Vitor Torga Lombardi, Raisa Gonçalves Faetti, Matusalém Miguel e pelo ornitólogo Santos D'Angelo Neto, revela a grande diversidade de espécies de aves presente na região do sul de Minas Gerais e Campo das Vertentes.

A região, que compreende os municípios de Carrancas, Lavras, Itamonte, Aiuruoca, entre outros, tem sido estudada a relativamente pouco tempo no que se refere à sua avifauna, e este talvez seja o trabalho mais abrangente já realizado na área. 

Embora seja uma região de forte influência antrópica historicamente, com suas áreas bastante exploradas pela cultura do café, pela pecuária e mais recentemente pela expansão das áreas de plantio de eucalipto, ainda apresenta uma grande riqueza de espécies animais e vegetais. O fato de estar localizada em uma área de contato entre dois dos mais importantes biomas brasileiros, Mata Atlântica e Cerrado, além de apresentar áreas de Campos Nativos ainda intactas, pode explicar essa riqueza de espécies.
    Mata Triste, no município de Mindurí. Maior área contínua de Floresta Atlântica encontrada na área. Foto: Kassius Santos.
     Campos naturais, Cerrado e mais ao fundo a ameaça da expansão do cultivo de Eucalipto na região de Carrancas. Julho de 2010. Foto: Kassius Santos.

As aves, sem dúvida, constituem o grupo que mais chama a atenção, seja por estarem presentes em todos os ambientes, inclusive nas áreas urbanas, seja pelas cores vistosas que muitas apresentam, ou pelo canto característico de cada espécie.

Foram registradas na região aproximadamente 400 espécies de aves, sendo que mais de 12 destas estão sob algum grau de ameaça, em nível estadual ou nacional. Destacam-se  espécies como o Caminheiro-grande (Anthus nattereri), o Tico-tico-de-máscara (Coryphaspiza melanotis) e a Marianinha-do-campo (Culicivora caudacuta), espécies típicas dos campos nativos e extremamente ameaçadas devido à redução e à fragmentação desses ambientes. Espécies como a águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus), típica do Cerrado, e espécies florestais como o Gavião-pega-macacos (Spizaetus tyrannus) e a Tesourinha-da-mata (Phybalura flavirostris), encontram-se ameaçadas pelos mesmos motivos.
    Caminheiro-grande (Anthus nattereri) em campo nativo no município de Carrancas. Foto: Kassius Santos
    Tico-tico-de-máscara (Coryphaspiza melanotis) fotografado na Chapada do Abanador, Mindurí, em outubro de 2009. Foto: Kassius Santos.
    Marianinha-do-campo (Culicivora caudacuta) fotografada em Lavras, agosto de 2010. Foto: Kassius Santos
    Águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus) sobrevoando área próxima ao rio Grande, em Ribeirão Vermelho, junho de   2010. Foto: Kassius Santos.
     Tesourinha-da-mata (Phybalura flavirostris) registrada próxima à Mata Triste, em Mindurí, outubro de 2009. Foto: Kassius Santos

Também foram registradas espécies não ameaçadas mas consideradas raras e pouco abundantes, como é o caso do Urubu-rei (Sarcoramphus papa) e do Falcão-morcegueiro (Falco rufigularis), de espécies migratórias como o Falcão-peregrino (Falco peregrinus), visitante do hemisfério norte, e de espécies comuns em outras regiões mas ainda não registradas anteriormente na área, como é o caso da Curicaca (Theristicus caudatus), espécie típica do Brasil central.
    Indivíduo imaturo de Urubu-rei (Sarcoramphus papa). Mindurí, abril de 2010. Foto: Kassius Santos. 
    Falcão-morcegueiro ou Cauré (Falco rufigularis). Mindurí, janeiro de 2010. Foto: Kassius Santos.
    Falcão-peregrino (Falco peregrinus) registrado na Chapada do Abanador, em Mindurí, janeiro de 2010. Foto: Kassius Santos.
    Casal de Curicacas (Theristicus caudatus). Lavras, maio de 2010. Foto: Kassius Santos 

Os resultados deste inventário justificam e sugerem que medidas para garantir a sobrevivência dessas espécies sejam tomadas, em caráter de urgência, pelos órgãos competentes. É necessário que remanescentes da Mata Atlântica, como é o caso da Mata Triste, a maior área contínua de floresta da região, localizada entre Carrancas e Mindurí, as áreas de Campos Naturais, presentes principalmente no município de Carrancas e o que ainda resta do nosso Cerrado sejam efetivamente preservados para que não se perca parte de toda essa diversidade. Além de pressionar os órgãos competentes para que criem parques nacionais, estaduais ou municipais, para que fiscalizem as áreas no sentido de coibir a caça e a coleta predatória de espécies vegetais e animais, também é nosso dever conscientizar os moradores das áreas para que contribuam com a preservação de toda essa riqueza biológica que ainda temos o privilégio de abrigar em nossa região.  

terça-feira, 18 de maio de 2010

RPPN Alto - Montana

O trabalho de levantamento da avifauna da RPPN Alto - Montana está sendo desenvolvido pela equipe composta por mim, Santos Dangelo Neto, Vitor Torga Lombardi e Raisa Gonçalves Faeti. Até o momento já foram registradas perto de 200 espécies, algumas delas ameaçadas, e esse número ainda deve crescer à medida que os trabalhos avançam.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

                      Lobo-Guará (Chrysocyon brachyurus) em seu ambiente natural.


Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus). Chapada do Abanador, Mindurí MG

terça-feira, 4 de maio de 2010









...Eu andei pelo mato, chapadas, trilhas e serras; e cada hora meu olhar se dissipou num tom, terroso, uma algazarra de cores! Lá no alto, quando tudo era vento, eu olhei mais embaixo, a fumaça que saía de longas pernas,água abundante desde o primórdio tempo das águas. Eu nunca me cansei de olhar para os lados, qualquer lado do caminho. Passarinho, serpente, urubu que se sabe rei, lobo e flores se entendendo numa tenacidade de momento,eu capitei; todo céu nú a se mostrar, toda noite fria e cada manhã amena, todo dia embrutecido pelo sol. Ah! Tantos caminhos um homem pode seguir. Eu escolhi o mais bonito, o que me leva sempre onde quero estar!
Vall Duarte

Foto: Estrada para o Pico das Agulhas Negras, parte alta do Parque Nacional do Itatiaia -MG/RJ/SP

segunda-feira, 3 de maio de 2010

"O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água se caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água ,ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso..."
Trecho de Grande Sertão Veredas - Guimarães Rosa








Casca D'Anta - Serra da Canastra MG
Só a diretoria...
Pequeno bando de urubus-rei, todos com plumagem adulta completa, reunidos sobre as rochas da Chapada do Abanador (Mindurí/Carrancas - MG).

Foto publicada na edição de Abril da revista Terra da Gente,
reportagem sobre Carrancas.
Urubu-rei (Sarcoramphus papa). Indivíduo adulto.

sábado, 1 de maio de 2010

Sarcoramphus papa


Sarcoramphus papa
Upload feito originalmente por Kassius K Santos

Sarcoramphus papa


Sarcoramphus papa
Upload feito originalmente por Kassius K Santos
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Sarcoramphus papa


Sarcoramphus papa
Upload feito originalmente por Kassius K Santos

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